Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Terapia celular aponta melhoras para doenças oculares

Estudo mostra que tratamento com células-tronco pode recuperar visão dos portadores da retinose pigmentar - doença genética que causa a degeneração da retina e a perda gradual da visão provocando a cegueira irreversível.

Pesquisador do Hemocentro de Ribeirão Preto, Júlio Cesar Voltarelli, em parceria com os oftalmologistas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP, Rodrigo Jorge, André Messias e Rubens Siqueira testam a injeção de células-tronco em cinco voluntários com menos de 10% da visão.

As células são retiradas da própria medula óssea do paciente através de punção na altura da bacia e são processadas, em laboratório do Hemocentro de Ribeirão Preto, para que as células-tronco separadas sejam implantadas no vítreo do globo ocular da paciente, espécie de líquido gelatinoso que fica sobre a retina.

A expectativa é que as células-tronco liberem substâncias que estimulem o funcionamento da retina e, consequentemente, resultem na recuperação da visão. Três pessoas receberam o implante e as outras duas estão agendadas para esse mês. O oftalmo Rodrigo Jorge diz que o estudo foi autorizado pelo Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa), órgão que regulamenta os estudos realizados em humanos. “Os pacientes foram submetidos a uma bateria de exames e não apresentaram qualquer complicação, mas é preciso um ano para ter certeza que não haverá complicações”, afirma Jorge.

A doença é hereditária, e o grupo de pesquisadores estima que existe cerca de 40 mil pessoas com retinose e que a cada 5 mil recém-nascidos, um tem a doença que aparece até os 20 anos de idade.

Ainda não há tratamento contra a retinose pigmentar. O objetivo, por enquanto, é estudar a segurança da técnica e o comportamento das células-tronco em relação ao aspecto funcional da retina. “A nossa esperança é que as células-tronco possibilitem algum avanço na melhora visual dos portadores da retinose pigmentar", confirma Jorge.

Caso haja sucesso nos resultados, será possível que o tratamento com células-tronco possa ser aplicado também no combate a outras doenças de fundo de olho, como a retinopatia diabética e a degeneração macular relacionada à idade.


Fonte: Dr. Rodrigo Jorge
(016) 3602-2423
(016) 8141-4382

Estamos à disposição para maiores informações.

Grata,


Angelita Beatriz Gonçalves
Hemocentro de Ribeirão Preto
Assessoria de imprensa
http://www.hemocentro.fmrp.usp.br/projeto/index.htm
E-mail: imprensa@hemocentro.fmrp.usp.br
Skype: Angelita Beatriz
Tel.: (16) 2101 9300 Ramal 9350
Cel.: (16) 9729-2443

Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

Hemocentro lança site em inglês para atender demanda internacional

Desde 1º de abril de 2009, o site do Hemocentro de Ribeirão Preto na versão em inglês está à disposição dos internautas. O projeto é parte do plano da direção em estreitar contatos com instituições e pesquisadores internacionais na troca de informações e aumentar a visibilidade da instituição.

O site, que pode ser acessado pelo endereço
http://www.hemocentro.fmrp.usp.br/english/, traz informações sobre assistência (blood service), ensino (education) e pesquisa (research).

Para o diretor presidente do Hemocentro de Ribeirão Preto, professor doutor Dimas Tadeu Covas, o portal na língua inglesa se faz extremamentenecessária. “Usando a linguagem universal, vamos divulgar nosso trabalho para que os parceiros internacionais tenham uma visão detalhada da instituição”, diz.

Nele, o Centro de Hemoterapia de Ribeirão Preto é apresentado no seu todo: certificados de controle de qualidade, laboratórios, funções e pesquisas nelesdesenvolvidas, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Terapia Celular e os projetos educacionais, como a Casa da Ciência, o Colégio do Brasileirode Hemoterapia e os demais cursos oferecidos.

FONTE: Hemocentro de Ribeirão Preto (Assessoria de imprensa)

Ovo de Páscoa: só a partir de quatro anos

Não há marcas próprias para crianças muito pequenas e consumo deve ser moderado. A escolha certa custa a metade do preço de alguns produtos.


Fonte: InfoPro Teste

Com moderação, sem problemas

Você pode comer ovos de Páscoa sem problemas, enquanto a criançada com menos de quatro anos deve evitar a ingestão desse alimento. Por conta do excesso de açúcar e gorduras, o consumo deve ser moderado, mas a sua economia não: com a escolha certa, você economiza a metade do que gastaria com outros ovos.

Essas são as principais conclusões de nosso teste de ovos de Páscoa. Nós avaliamos 30 produtos, segmentados entre o público adulto e infantil. Nos ovos para crianças, verificamos também a segurança dos brinquedos que vêm como brindes.

Confira o resultado das nossas avaliações e veja se o produto que você leva para casa é o ideal para você e seu filho. Veja também qual produto foi eliminado e os que foram mais bem classificados.


Como fizemos o teste

Nossa avaliação testou os ovos de Páscoa em dois quesitos principais:

Alimentar: Checamos se os ovos são apropriados para consumo por crianças e adultos.
Esta análise foi dividida em:

teores de cacau (dado pela presença de teobromina), açúcar e gordura;
adequação e informação dos rótulos;
degustação por painel de consumidores.

Brinquedos: Checamos a segurança dos brindes que vêm nos ovos para crianças.
Este teste consistiu na verificação de:

adequação e nível de informação dos rótulos;
presença de bordas cortantes e pontiagudas, metais pesados e partes pequenas que possam ser engolidas.

Ovo adulto indicado para crianças

Crianças menores de 4 anos de idade não devem consumir ovos de Páscoa devido aos elevados teores de açúcar e gorduras. Entre 4 e 6 anos, apenas o Sonho de Valsa é recomendável, enquanto maiores de 7 anos têm opções mais variadas.

O Sonho de Valsa, aliás, é voltado para adultos e foi o melhor avaliado para esse público quanto à qualidade nutricional. Os produtos que tiveram a pior avaliação neste critério foram os ovos Kopenhagen ao Leite e Top Milk.

Consumo deve ser moderado

Lembre-se também de que o consumo deve ser moderado. Nossas análises apontaram que apenas 25g de qualquer um dos ovos contém uma dose muito maior de gordura e açúcar do que a recomendada para um lanche, por exemplo. A boa notícia é que nenhum produto continha gordura trans.

Ovo recheado com plástico


Quando abrimos o produto Rei do Futebol, da Arcor, encontramos o plástico do brinde colado no ovo de cholocate. Por isso, o consumidor precisa jogar fora uma boa parte do produto, se não quiser ingerir plástico.

Veja aabaixo as imagens do produto >>





A PRO TESTE reivindica

Encontramos açúcar e gorduras demais em todos os ovos de Páscoa que avaliamos. Isso é grave por se tratar de um produto muito consumido por crianças e adultos, ainda que seja consumido em apenas uma época do ano.

Os consumidores não podem ser induzidos a erro, principalmente quanto às informações nutricionais do chocolate.

Queremos limites máximos de açúcar e gorduras

Por isso, a PRO TESTE deu conhecimento para a Anvisa do teste realizado e pede seja revisto o regulamento técnico para chocolate e produtos de cacau. Hoje, ele não define o teor máximo de açúcar e de gordura, parâmetros importantes em produtos como o chocolate.

Rótulo do brinquedo na embalagem do ovo

Além disso, é necessário que o Inmetro crie uma regulamentação específica para padronizar as informações, de forma a facilitar a leitura.

A PRO TESTE já solicitou que no rótulo seja informado que o ovo tem um brinquedo certificado, com indicação da faixa etária. Além disso, o selo de certificação deverá constar na embalagem do brinde.

Também foi solicitado ao Inmetro e a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) que estabeleçam normas e testem ruído nos brindes que emitam sons. A corneta que veio em um dos ovos, por exemplo, alcançou 120 decibéis em nossa medição, quando o máximo recomendável são 70 decibéis.

A PRO TESTE já notificou ao Inmetro os problemas encontrados nos rótulos dos ovos com brinquedos, solicitando que estes produtos sejam retirados do mercado.


Leia mais sobre o teste dos ovos de páscoa realizado pelo Pro Teste:

- "Muito doces e gordurosos"

- "Quatro brinquedos têm problema"

- Escolha certa: "Compre 200g pelo preço de 100g e ainda leve troco" e "Melhores do teste são escolhas certas"

Onde consultar: http://www.proteste.org.br/map/show/177756/src/479541.htm#



Domingo, 5 de Abril de 2009

Vacina contra tuberculose



Depois de 80 anos, a primeira candidata a vacina contra a tuberculose será testada em humanos até o fim do ano, tentando driblar os mecanismos estratégicos da infecção (foto: OMS)
26/3/2009


Por Washington Castilhos, do Rio de Janeiro

Agência FAPESP – Elaborada a partir de uma bactéria atenuada de origem bovina (Mycobacterium bovis) semelhante ao microrganismo causador da tuberculose (Mycobacterium tuberculosi), a vacina BCG foi lançada em 1922 e não impede a infecção nem o desenvolvimento da tuberculose pulmonar. Até hoje não se desenvolveu qualquer imunizante contra a doença, embora cerca de um terço da população mundial seja portador do bacilo de Koch.

No entanto, como a doença tem se tornado uma das prioridades da Organização Mundial de Saúde (OMS), nos últimos anos pelo menos nove vacinas se encontram em fase de ensaios clínicos. Cinco delas estão sendo desenvolvidas pela Fundação Aeras, nos Estados Unidos, uma para ser dada ao nascer – assim como a BCG (Bacilo de Calmette-Guérin) – e as demais como imunizantes na fase adulta.

Quatro vacinas estão sendo testadas e deverão passar este ano por testes de eficácia em humanos. “Não sabemos se as respostas que obtivemos nos testes com animais vão prever o que irá ocorrer nas pessoas”, disse Jerald Sadoff, chefe executivo do projeto da Aeras, à Agência FAPESP.

Devido a essa dificuldade, a primeira das candidatas – a Aeras 427, chamada por Sadoff de “nova BCG” – ainda nem entrou em testes clínicos. A estratégia de outra candidata, a Aeras 402, é induzir a produção das células T – linfócitos T-4, também chamados CD4 (células de defesa, que lideram o ataque contra as infecções), e as células T-8 (ou CD8+), supressoras que terminam a resposta imune.

“Não sabemos qual delas irá proteger melhor. Os organismos da tuberculose vivem conosco há 500 mil anos”, disse o cientista que esteve no Rio de Janeiro para participar do 3º Fórum Mundial de Parceiros Stop TB.

Segundo ele, além da falta de investimento no estudo da doença, é difícil desenvolver vacinas contra a tuberculose devido aos estratagemas próprios da doença: seus organismos se escondem dentro das células humanas e podem fazer com que uma vacina direcione uma resposta imune na direção errada.

“Para fazer uma vacina eficaz, precisamos induzir uma resposta celular. O problema é que o bacilo da tuberculose se esconde na célula humana. É difícil fazer vacinas contra a tuberculose exatamente porque não sabemos que tipo de resposta podemos provocar e que tipos de células precisamos”, explicou.

Em uma visão otimista, de acordo com Sadoff, a primeira das cinco candidatas deve estar pronta em 2013 e as outras em 2016. Cerca de US$ 200 milhões serão gastos com os experimentos.

“Mas, daqui a dois anos, precisaremos de mais dinheiro para prosseguir com os testes”, afirmou o também presidente da Fundação Aeras, que tem entre seus financiadores a Fundação Bill e Melinda Gates.

“Para vermos se estas vacinas vão funcionar em humanos, temos que testar em cerca de 2 mil pessoas. Apesar das dificuldades, aprendemos muito sobre imunologia, então o momento é agora”, ressaltou.

Fonte: http://www.agencia.fapesp.br/materia/10276/especiais/vacina-contra-tuberculose.htm#

Jornal e site de divulgação científica recebem artigos


Informações sobre evento também podem ser enviadas


A coluna “Pensar o Mundo”, publicada às segundas-feiras no Caderno de Ciências do Jornal da Cidade, de Bauru-SP, e no site de divulgação científica http://www.sciencenet.com.br, está aberta para o recebimento de artigos de professores, pesquisadores, alunos-pesquisadores e especialistas, bem como informações sobre eventos científicos de interesse público. Publicada há três anos, a coluna é um espaço de discussão e informação sobre o mundo do conhecimento.

Os artigos devem conter entre 2.000 e 2.500 caracteres, apontando título, autor, breve currículo e e-mail de contato, além de versar sobre a especialidade do articulista e trazer um conteúdo de interesse da sociedade em geral. Já os eventos deverão ser divulgados contendo o nome, data, local, promoção e contato para maiores informações.

Os textos devem ser enviados para o email artigo@sciencenet.com.br. Para saber mais ligue: (14) 3235-8006.

Fonte: Jornal da Ciência (JC E-Mail), Edição 3729- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)


As marcas da depressão

Um córtex direito mais fino indicaria o risco de manifestação da doença


Diferenças estruturais no cérebro poderiam causar depressão, segundo cientistas que acompanharam famílias com histórico desta doença. O principal fator, segundo pesquisa americana, seria uma significativa redução da densidade do lado direito do córtex cerebral.

Para os autores, isto pode ser um traço ou marcador de vulnerabilidade à depressão. O estudo teve início há 27 anos, com a cientista Myrna Weissman, e será publicado na revista “Proceedings of the National Academy de Sciences”.

A análise de imagens do cérebro de 131 indivíduos, de 6 anos a 54 anos, mostrou afinamento do córtex direito (camada mais externa do cérebro) em descendentes de pais e avós com depressão. Essa camada era 28% mais fina em pessoas com história familiar, comparada ao grupo sem relato da doença.

— É extraordinário. Vemos a alteração duas gerações depois, em crianças e adultos — disse Bradley S. Peterson, professor de psiquiatria no Columbia College of Physicians and Surgeons, e um dos principais autores.

— A alteração é encontrada mesmo nos filhos que ainda não adoeceram.

Peterson ainda não sabe se a característica é de origem genética ou consequência de a criança crescer com os pais ou os avós deprimidos. Outros estudos têm demonstrado que quando os pais são doentes, eles modificam o ambiente em que os filhos estão se desenvolvendo.

— A diferença é tão grande que, num primeiro momento, quase não acreditamos nela. Mas confirmamos várias vezes os nossos dados, buscamos todas as explicações e alternativas possíveis e a diferença permanecia — comentou o pesquisador.

Na pesquisa, metade dos participantes era de alto risco para a depressão por causa de seu histórico familiar e a outra metade estava num grupo de baixo risco. O córtex cerebral é a região do cérebro envolvida no raciocínio, no planejamento e humor. E o afinamento desta área parece afetar a capacidade de o indivíduo prestar atenção e interpretar pistas sociais e emocionais, afirmam cientistas: — Se você tem essa parte do cérebro desbastada, a alteração vai interferir no processamento de estímulos emocionais.

Piores resultados em testes de atenção

Uma densidade mais fina do lado direito do córtex foi relacionada a uma predisposição familiar à depressão. As pessoas deprimidas também apresentavam a parte esquerda do córtex mais fina. Os autores observaram que quanto menos matéria cerebral no córtex direito, piores eram os resultados nos testes de atenção e memória.

Para Helen Mayberg, professora de psiquiatria e neurologia na Universidade de Emory, o estudo é impressionante e forneceu uma outra peça do quebra-cabeça que identifica algumas áreas do cérebro que precisamos prestar mais atenção.

— É um fator de risco? Um sinal de depressão? Um sinal de que você vai terá a doença? — questiona Mayberg. — Essas são questões realmente complicadas e interessantes.
(O Globo, 26/3)

Fonte: Jornal da Ciência (JC E-Mail), Edição 3729- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)

Amazonas tem primeiro banco de linhagens de bactérias de peixes

Banco evitará a perda de grandes investimentos econômicos na piscicultura com a morte de toda uma produção


“Quem produz peixe quer ter lucro”. A frase da pesquisadora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Andréa Belém Costa, reflete bem a intenção do piscicultor que investe na produção de peixes no Amazonas. Contudo, esse processo envolve riscos, por exemplo, a perda de toda uma produção próxima do momento de abate. As causas podem ser as mais variadas, como parasitas, bactérias, práticas erradas de manejo, questões sanitárias.

A saída para o problema, apontou Costa, é investir na pesquisa científica para determinar as causas da morte e, assim, evitá-las. Uma das formas encontradas pela cientista foi a montagem de um banco de linhagens de bactérias que causam doenças em peixes.

A pesquisadora disse que o banco é o primeiro do Amazonas, uma vez que nunca ninguém havia se preocupado em saber se bactérias causavam doenças em peixes e, consequentemente, a morte. “Com o aumento dos investimentos na piscicultura, houve a necessidade de mecanismos que evitassem a perda da produção. Isso porque há bactérias que causam a morte de peixes em 24 horas”, lamentou, como a Edwardsiella tarde, comum no pardo japonês, uma espécie marinha.

Hoje, o banco de linhagens de bactérias possui mais de 200 amostras, as quais podem ser utilizadas por cientistas, alunos de graduação, pós-graduação (mestrado e doutorado), interessados em investigar os agentes patogênicos responsáveis pela perda da produção. Além disso, as amostras podem ser usadas no desenvolvimento de medicamentos e no tratamento das doenças que atingem os peixes endêmicos da região.

“O banco possui linhagens de bactérias isoladas de cultivos de pirarucu, tambaqui e matrinxã. Falta apenas do surubim, uma vez que ele não é cultivado comercialmente no Amazonas”, ressaltou.

Denominado “Isolamento e Caracterização de Bactérias Patogênicas de Peixes Cultivados no Estado do Amazonas”, a pesquisa foi desenvolvida no âmbito do Programa de Desenvolvimento Científico Regional (DCR).

O projeto iniciou em 2006 e recebeu investimentos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). Ao todo, foram investidos cerca de R$ 94 mil, entre bolsas e auxílio pesquisa. Atualmente, Belém é pesquisadora fixada na Ufam.

Os resultados da pesquisa foram apresentados, ontem, durante o 2º Seminário de Avaliação dos Programas DCR, Primeiros Projetos (PPP), Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex) e Iniciação Científica Júnior (Pibic Jr), da Fapeam e do CNPq.

Todas as bactérias do banco, segundo Costa, são patogênicas, ou seja, causam algum tipo de doença. Ela salienta que ainda não foi possível identificar todas, pois leva tempo. Além disso, durante o projeto tiveram problemas na técnica de identificação molecular.

“Caso haja o interesse de alunos de iniciação científica, mestrado ou doutorado em desenvolver trabalhos na área, todo o material está armazenado para futuras pesquisas”, salientou.

Boas práticas de manejo – Os procedimentos adotados durante a piscicultura podem levar ao sucesso ou ao fracasso da produção, daí a importância da introdução de boas práticas de manejo, que podem ajudar a diminuir as chances de uma bactéria patogênica dizimar toda uma produção.

A pesquisadora salientou que é preciso atenção, por exemplo, na nutrição, uma vez que peixes bem alimentados não ficam doentes, uso de ração de qualidade, conforme a espécie cultivada também é fundamental. “Não adianta criar o pirarucu (carnívoro) com ração de tambaqui (onívoro), apesar de a ração ser mais barata, trata-se uma economia que não dará certo”. Outro ponto que merece atenção, segundo Costa, é a limpeza dos tanques: “Não pode deixar peixes doentes no local, pois os patógenos procurarão novos hospedeiros”, avisou.

A visita periódica de um especialista em doenças de animais aquáticos para averiguar as condições sanitárias, infraestrutura, saúde do peixe (carga bacteriana) é indispensável orientou Costa. “Caso haja prevenção não há como ter grandes perdas”, destacou.
(Luís Mansuêto, Agência Fapeam)

Fonte: Jornal da Ciência (JC E-Mail), Edição 3729- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)

Interativo e encantador

Interativo e encantador

São Paulo ganha espaço de iniciação científica com muita interatividade em 250 instalações distribuídas em 8 mil m². Catavento, no antigo Palácio das Indústrias, será aberto à visitação nesta sexta-feira (27/3) (foto: Gilberto Marques/GSP)


27/3/2009

Agência FAPESP – São Paulo acaba de ganhar um novo espaço de divulgação científica, que reúne em 8 mil metros quadrados 250 instalações diferentes. O Catavento, espaço interativo de artes, ciência e conhecimento montado no antigo Palácio das Indústrias, foi inaugurado nesta quinta-feira (26/3) pelo governador José Serra.

Inspirado nos principais espaços dedicados à iniciação científica do mundo, o Catavento teve investimento total de R$ 20 milhões. Fruto de parceria entre as secretarias de Estado da Cultura e da Educação, será administrado pela Organização Social Catavento Cultural e Educacional, sob a supervisão da Secretaria da Cultura.

“O Catavento é para fazer girar o ventos das ideias, do conhecimento, da curiosidade, para que as crianças aprendam mais e se preparem para a vida, para a tecnologia, para o trabalho e também para o lazer e divertimento”, disse o governador na cerimônia de inauguração.

No espaço, crianças, jovens e adultos podem tocar em um meteorito, conhecer o corpo humano por dentro, entender como funciona um gerador de energia ou descobrir que o Sol, visto de perto, não é tão redondo como parece.

Do átomo ao Sistema Solar, de minúsculos insetos aos maiores animais, das leis da física às transformações químicas, do ecossistema à questão da preservação ambiental, tudo é apresentado didaticamente e de maneira lúdica. Mostrando cuidado com os detalhes, as seções ganham iluminação e sons diferentes, contribuindo para criar uma atmosfera envolvente.

São quatro seções: Universo, Vida, Engenho e Sociedade. Em todas, vídeos, painéis e maquetes são utilizados como suporte didático, mas o destaque é a interatividade. Podem ser ideias simples, como pisar na Lua como se fosse o astronauta Neil Armstrong, o primeiro humano a andar pelo satélite terrestre. Ou apertar uma das estrelas que compõem a bandeira do Brasil e saber qual estado ela representa. Ou girar uma manivela e fazer uma pequena cidade inteira se iluminar, com o funcionamento de uma hidrelétrica em miniatura.

O Catavento reúne em aquários de água salgada anêmonas, corais, peixes carnívoros e venenosos, além de espaço com cerca de 700 borboletas amazônicas. Aranhas e escorpiões podem ser observados com lupas. Crianças podem observar simultaneamente, com auxílio de um monitor, as estruturas celulares em um microscópio com aumento de até mil vezes. Um prisma mostra a decomposição da luz branca.

Algumas das instalações interativas podem ser manipuladas sem ajuda – painéis explicam como fazê-lo. Outras necessitam de guias, educadores e monitores que interagem nas atividades: organizam jogos de perguntas e respostas, demonstram experimentos de química e explicam leis da física. No espaço dedicado à nanotecnologia, eles promovem uma gincana com as crianças.

“Existem muitos museus e espaços voltados para o ensino e a divulgação do conhecimento científico no mundo e na América Latina, e no Brasil, o Catavento pretende ser o nosso espaço de referência”, disse João Sayad, secretário da Cultura.

O espaço fará parte do programa “Cultura é Currículo”, da Secretaria da Educação, cujo objetivo é democratizar o acesso de professores e alunos da rede pública estadual a bens e produções culturais e diversificar situações de aprendizagem.

“O Catavento é um espaço social e cultural, rico em objetos e ambientes de aprendizagem interativos e informais. É uma verdadeira escola viva, que ajuda a compreender como as coisas funcionam, não só para as crianças, mas a todos que quiserem entender mais sobre o mundo da ciência”, disse Sergio Freitas, presidente do Conselho de Administração da OS Catavento Cultural e Educacional.

O Catavento contou com o apoio de várias instituições. O Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo (USP) forneceu materiais e apoio técnico para toda a área do “Universo”. A Fundação Faculdade de Medicina entrou com a didática para a explicação das maquetes da instalação “Homem Virtual”, além dos filmes projetados na mesma seção.

O Instituto Kaplan desenvolveu a instalação sobre gravidez na adolescência e doenças sexualmente transmissíveis. A Escola Politécnica da USP criou o “Passeio Digital”, uma viagem em três dimensões pelas paisagens do Rio de Janeiro.

  • Catavento
    Local: Palácio das Indústrias – Parque Dom Pedro II, região central da capital paulista
    Funcionamento: De terça a domingo, das 9h às 17h (bilheteria fecha às 16h)
    Ingresso: R$ 6 e meia-entrada para estudantes e idosos
    Idade mínima para visitação: recomendado para crianças a partir de 6 anos
    Estacionamento: R$ 8 por até 3 horas. Capacidade para 200 carros.
    Infraestrutura: acesso para pessoas com deficiência locomotiva

    Mais informações: www.cataventocultural.org.br

Fonte: http://www.agencia.fapesp.br/materia/10284/especiais/interativo-e-encantador.htm#

Maior aglomeração de animais é flagrada

Pesquisadores observam pela primeira vez cardumes que cobrem quilômetros de oceano


Com ajuda de técnicas de teledetecção, um grupo de pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) conseguiu, pela primeira vez, estudar a movimentação de um extenso cardume, reunindo milhões de peixes. Esses cardumes arenques são as maiores aglomerações de animais do planeta e chegam a ocupar uma área de dezenas de quilômetros quadrados.

O fato, inédito, publicado na revista “Science”, pode explicar melhor o comportamento desses animais e também ajudar nos esforços de preservação dos estoques marinhos.

— Se todos vissem a grandiosidade desses cardumes, aumentaria a conscientização em torno da sua preservação — afirma o oceanógrafo Nicholas Makris, do MIT, que conduziu o estudo, feito na costa leste dos EUA

Grupo migra à noite e se dispersa pela manhã

Há muito tempo os cientistas tentam descobrir como se formam tais agrupamentos. Mas até agora os estudos têm sido teóricos, simulações ou experimentos em laboratório.

Recolher informações sobre esses grupos sempre foi difícil, já que os peixes se dispersam em zonas profundas do oceano, o que dificulta sua localização e observação.

Agora, com o auxílio de modernas técnicas de mapeamento do fundo do mar, os cientistas conseguiram observar o agrupamento de um gigantesco cardume, formado por milhões de arenques, sua migração e posterior desagregação.

De acordo com os pesquisadores do MIT, que compararam o cardume a uma “ola que se move em torno de um estádio de futebol”, essa foi a primeira vez que foi investigado tal comportamento na natureza numa escala tão grande.

O estudo revela que, quando alguns peixes se unem, eles produzem uma reação em cadeia que culmina com a formação de cardumes de milhões de animais que viajam juntos e ordenadamente por dezenas de quilômetros no oceano.

Segundo os pesquisadores, quando um cardume de arenques alcança uma determinada densidade, se inicia um processo de agrupamento sincronizado de milhões de indivíduos que os leva a percorrer, ao anoitecer, enormes extensões até alcançarem águas superficiais, onde fazem a desova.

Tais cardumes podem se estender por até 40 quilômetros. Quando o dia chega, o grupo se desfaz, com os peixes se dirigindo às regiões mais profundas do oceano, onde ficam protegidos pela escuridão.
(O Globo, 27/3)


Fonte: Jornal da Ciência (JC E-Mail), Edição 3730- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)

Cientistas extraem de pacientes células-tronco para uso em medicina

Cientistas extraem de pacientes células-tronco para uso em medicina


A perspectiva de usar células da pele de uma pessoa para tratar doenças hoje incuráveis, como o mal de Parkinson, deu um passo importante.

Cientistas americanos desenvolveram uma forma segura de obter células-tronco para aplicação terapêutica a partir de células da pele sem necessidade de usar embriões humanos ou vírus potencialmente nocivos.

Vírus servem para transferir genes capazes de transformar células da pele comuns em células-tronco, porém, há muitos riscos. O estudo foi publicado na revista “Science”.

Cientistas já haviam produzido por meio de engenharia genética células-tronco embrionárias.

Fizeram isso introduzindo determinados genes numa célula da pele, com a ajuda de vírus. Mas essas células não servem para aplicação em tratamentos médicos por causa do temor de que os genes virais possam causar danos à saúde.

O estudo, coordenado por James Thomson, da Universidade de Wisconsin-Madison, mostrou que é possível obter células pluripotentes (que têm capacidade de se transformar em diferentes tecidos) induzidas (iPS) sem a ajuda de vírus.

Thomson é um pioneiro nessa área. Seu grupo de pesquisa foi o primeiro no mundo a cultivar células-tronco extraídas de embriões humanos, em 1998.

Nesse novo estudo, ele usou estruturas tiradas de bactérias chamadas plasmídeos. São moléculas circulares duplas de DNA, presentes em algumas bactérias, capazes de se multiplicar independentemente do DNA dos cromossomos.

Com o tempo, o plasmídeo desaparece naturalmente. E por isso oferece risco menor de gerar tumores e afetar genes humanos importantes.

Células iPS contornam muitas das objeções éticas e técnicas para o uso de embriões humanos. Mas pesquisadores ainda trabalham para garantir a sua segurança. E a nova pesquisa é um passo concreto nessa direção.

— A descoberta da equipe de Thomson, de um novo método para a geração de células com grande capacidade de gerar tecidos e órgãos humanos sem inserir material de vírus nas células, é um avanço em direção à reprogramação segura de células para aplicação em medicina — afirmou Marion Zatz, dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos.

No segundo semestre de 2007, as equipes de Thomson e do cientista Shinya Yamanaka, da Universidade de Kioto (Japão), reprogramaram fibroblastos (células da pele), tornandoos pluripotentes. Na época, eles introduziram quatro genes (cada equipe tinha sua própria combinação) nos fibroblastos humanos, e obtiveram células que compartilhavam características das células embrionárias.

O problema é que elas não serviam para tratar doenças porque foram usados vírus para carregar o DNA.
(Steve Connor, do Independent)
(O Globo, 27/3)


Fonte: Jornal da Ciência (JC E-Mail), Edição 3730- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)

Cientistas ‘fotografam’ HIV

Imagem mostra vírus migrando de uma célula a outra


Alexandre Gonçalves escreve para “O Estado de SP”:

Usando técnicas avançadas de engenharia genética e microscopia, pesquisadores americanos registraram o momento exato da transmissão direta do HIV de células infectadas para células sadias. O trabalho foi publicado hoje na revista Science.

Benjamin Chen, coautor do estudo, explica que a maior parte das pesquisas na área adota como premissa a infecção das células por vírus livres no plasma sanguíneo. Mas testes realizados in vitro mostraram que o contágio pelo contato direto entre as membranas das células – processo conhecido como sinapse viral – pode ser milhares de vezes mais eficiente para promover a infecção.

As imagens obtidas revelam detalhes da sinapse viral. Os pesquisadores incluíram no material genético do HIV, vírus causador da aids, um gene que produz proteína fluorescente verde. Quando exposta a um feixe de laser, a substância brilha.

A técnica permitiu seguir com precisão o avanço da infecção em uma cultura de células in vitro. No artigo, os cientistas afirmam que os processos bioquímicos relacionados à formação das sinapses virais são alvos promissores para o desenvolvimento de vacinas e remédios.

“Qualquer informação sobre as estratégias utilizadas pelo vírus é muito valiosa”, afirma o infectologista da Universidade de São Paulo (USP) Ésper Kallas.

Ele recorda um estudo publicado no início do mês pela revista Nature. O trabalho mostrava como tecidos com alta concentração de células de defesa contribuem para o avanço da infecção. “Os dois estudos vão na mesma direção”, aponta Kallas.
(O Estado de SP, 27/3)

Fonte: Jornal da Ciência (JC E-Mail), Edição 3730- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)

Rede de pesquisa prioriza segurança nas transfusões sangüíneas

Aumentar a segurança dos usuários de bancos de sangue brasileiros é o principal objetivo da Rede Brasileira de Pesquisas em Segurança Transfusional, criada nesta quarta-feira (25), durante reunião na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em Brasília


A Rede é formada por hemocentros e Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) de sete estados brasileiros.

Na parceria, os hemocentros serão responsáveis por desenvolver pesquisas que levem à melhoria e ao aumento da segurança transfusional, especialmente no sentido de desenvolver novas tecnologias que promovam maior segurança ao usuário. Às FAPs, caberá o financiamento das pesquisas, que também contarão com recursos do Ministério da Saúde e do CNPq.

Participam da Rede os estados de Minas Gerais, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Amazonas e o Distrito Federal. A Rede conta com um comitê gestor formado por representantes de todas as instituições envolvidas. Além dos hemocentros e das agências financiadoras, a Rede tem a parceria da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) e do National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos.

De acordo com a presidente da Fundação Hemominas e representante da Fapemig no comitê, Anna Bárbara de Freitas Proietti, a Rede Brasileira de Segurança Transfusional vai funcionar em um sistema cooperativo, com projetos de pesquisa multicêntricos, geridos por uma central executiva, ainda não definida, que será sediada em um dos Estados participantes.

Início das pesquisas

Proietti adianta que os trabalhos da Rede terão início imediato. No primeiro instante, haverá o nivelamento dos trabalhos entre todos os estados participantes. Segundo ela, Minas Gerais, São Paulo e Pernambuco estão um passo à frente, uma vez que já participam do Estudo Multicêntrico Internacional em Doadores de Sangue (Reds), financiado pelo Instituto de Pesquisas em Sangue da Califórnia (EUA). "Depois, vamos trabalhar com a questão da triagem clínica e sorológica do doador e sua motivação para doar. Saber o que leva o doador ao banco de sangue pode nos ajudar, por exemplo, em campanhas de captação de doadores", diz a presidente do Hemominas.

De acordo com ela, a Rede também vai atender demandas do Ministério da Saúde e da Anvisa, contribuindo para a tomada de decisões técnicas e políticas. "Podem ser formuladas questões de pesquisa para que os hemocentros possam responder às necessidades de pesquisa que o MS e a Anvisa têm, como, por exemplo, saber se um produto é seguro", exemplifica.
(Com informações da Assessoria de Comunicação da Fapemig)

Fonte: Jornal da Ciência (JC E-Mail), Edição 3730- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)

Frente social contra a tuberculose

Segundo Dráurio Barreira, coordenador do Programa de Controle de Tuberculose do Ministério da Saúde, para que as ações de combate à doença tenham efeito é necessária a participação da sociedade civil


Washington Castilhos escreve para a “Agência Fapesp”:

A tuberculose se tornou prioridade para a Organização Mundial de Saúde (OMS) apenas em 1993, por conta do crescimento da epidemia da Aids. Em comparação com a África, o leste europeu e a Ásia, no Brasil a gravidade de tal associação demorou um pouco mais para ser percebida.

“Foi preciso que a epidemia da Aids chegasse ao topo no país, em 1998/99, para que esses efeitos começassem a ser sentidos”, disse o sanitarista Dráurio Barreira, coordenador do Programa Nacional de Controle de Tuberculose do Ministério da Saúde.

“O Ministério da Saúde declarou a tuberculose como prioridade nacional em 2003. Isso pode ser observado claramente quando, em 2002, tivemos o menor orçamento para a tuberculose da história. Mas, a partir daí, tivemos uma escalada no financiamento das ações de combate à doença”, afirmou em entrevista concedida à “Agência Fapesp” durante o 3º Fórum Mundial de Parceiros Stop TB, realizado esta semana no Rio de Janeiro.

De acordo com Barreira, para que as ações do Ministério da Saúde tenham efeito, é fundamental a participação da sociedade civil na luta contra a tuberculose.

No novo relatório de controle da tuberculose elaborado pela OMS, o Brasil ocupa a 16ª posição entre os países com maior incidência da doença, o que representa uma queda em relação ao 18º lugar no levantamento anterior.

– O que tem sido feito para melhorar o cenário da tuberculose no país, especialmente em relação aos grupos mais vulneráveis, como populações indígenas, moradores de rua, presidiários e comunidades carentes – a taxa na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, por exemplo, é de 100 casos por 100 mil, mais do que o dobro da média?

Barreira – A partir da semana que vem começaremos a elaborar uma consulta para o Plano Nacional de Controle da Tuberculose em presídios. Estamos também trabalhando com a Funasa [Fundação Nacional de Saúde] na elaboração de um plano para a população indígena. Em relação à população de rua, procuramos parceiros que nos ajudem com relação a algumas especificidades, como o acesso a esse grupo. Fundamentalmente, estamos buscando articulação com a sociedade civil para apoiar as ações de controle que precisam ser realizadas. A Rocinha é um exemplo: os agentes comunitários da favela, apoiados pelo município do Rio de Janeiro, conseguiram reduzir de 600 casos por 100 mil para 100 casos por 100 mil, onde o poder público sozinho não conseguiria chegar. Juntando governo e sociedade civil estamos tentando enfrentar os problemas prioritários.

– O relatório da OMS também destaca que as taxas de mortalidade da tuberculose têm sido subnotificadas no mundo devido à integração da doença com o HIV/Aids. Esse problema existe no Brasil?

Os portadores do HIV são potenciais doentes de tuberculose, isso já não era uma novidade para o sistema de saúde brasileiro. O Programa de Controle da Tuberculose é muito sensível à questão da coinfecção. A luta contra as duas doenças é indissociável.

– O Brasil também foi elogiado pela queda no número de notificações. Mas, por outro lado, não pode estar havendo aí subnotificações?

Sempre há alguma subnotificação, mas o Brasil tem uma grande vantagem em relação aos outros países. Temos todos os medicamentos fornecidos pelo governo federal e distribuídos para estados e municípios. Então, o controle do número de casos é feito pela dispersão de medicamentos. Assim, ainda que haja subnotificação, temos uma notificação muito próxima da realidade, se comparada a países em que a pessoa vai à farmácia comprar seu remédio, vai a um médico privado que diagnostica sua doença e trata. Fazer com que um médico privado notifique um caso é muito mais difícil do que no Brasil, onde a notificação é compulsória e o medicamento é controlado pelo governo. Nesses outros países, os médicos privados não têm nenhuma obrigação em relação ao governo federal. Nossa subnotificação é muito menor do que nos países que não têm um sistema centralizado.

– O país carece de pesquisas e do desenvolvimento de novos medicamentos para tuberculose?

O Ministério da Saúde investe principalmente em pesquisa operacional. A pesquisa básica é da alçada do Ministério de Ciência e Tecnologia [MCT]. Mas há uma boa articulação: a questão da compra de medicamentos e transferência de tecnologia dos medicamentos de tuberculose é toda feita via MCT. Mas, de fato, a pesquisa básica é muito cara. Por meio do apoio do governo e do Fundo Global [parceria público-privada com sede na Suíça], priorizamos as pesquisas operacionais.
(Agência Fapesp, 27/3)

Fonte: Jornal da Ciência (JC E-Mail), Edição 3730- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)

A religiosidade e o cérebro, coluna de Roberto Lent

A neurociência começa a desvendar os processos mentais da crença religiosa, mostra colunista


A religiosidade humana já é estudada há tempos pelos cientistas sociais. Mais recentemente, ela se tornou objeto de estudo também de psicólogos e neurocientistas.

Que circuitos neurais estariam envolvidos na crença religiosa? Em sua coluna de março, Roberto Lent discute um estudo recente que ajuda a entender essa questão.

Leia a coluna completa na “CH On-line”, que tem conteúdo exclusivo atualizado diariamente: http://cienciahoje.uol.com.br/141432

Fonte: Jornal da Ciência (JC E-Mail), Edição 3731- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)

Raios em alta



Grupo do Inpe relança, em versão atualizada, o livro Relâmpagos. Novo ranking de raios feito pelo instituto mostra que incidência do fenômeno está aumentando no Brasil (Foto: Divulgação)
1/4/2009

Raios em alta

Por Alex Sander Alcântara

Agência FAPESP – No último verão, os jornais registraram o drama de vários municípios brasileiros destruídos pelo excesso de chuva, que provocou enchentes, deslizamentos de terra e mais de uma centena de mortos. Mas, além dessas tragédias que podem ser evitadas, outro fenômeno meteorológico vem preocupando pesquisadores que estudam o clima: o aumento na incidência de raios em todo o país.

De acordo com o livro Relâmpagos, de Osmar Pinto Júnior e Iara Regina Cardoso de Almeida Pinto, que acaba de ser relançado, o Brasil é o campeão mundial em incidência de raios, com cerca de 50 milhões por ano. O fenômeno causou 75 mortes em 2008 – o recorde da década – e prejuízos da ordem de R$ 1 bilhão.

A obra, direcionada para o público em geral, apresenta conceitos básicos sobre os raios, traz números atualizados sobre a incidência em diferentes regiões do Brasil, indica como se proteger ou evitar prejuízos e discute a possível variação da incidência em função do aquecimento global.

“O livro foi originalmente publicado em 1996, mas desde então o conhecimento sobre os relâmpagos no Brasil avançou muito e isso motivou o relançamento. O conteúdo foi revisto e aprimorado e muitas novas informações foram agregadas. O livro contribui no sentido de conscientizar a população para a importância desse estudo e despertar futuros cientistas para os novos desafios nesta área do conhecimento”, disse Pinto Júnior à Agência FAPESP.

Pinto Júnior é coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e coordenador do Programa Nacional de Monitoramento de Raios (Pronar), apoiado pela FAPESP na modalidade Projeto Temático.

O cientista explica que a obra procura contextualizar a ocorrência do fenômeno no Brasil e faz um alerta sobre a possibilidade de aumento na incidência de raios nas próximas décadas em função das mudanças climáticas decorrentes do aquecimento global. O Brasil, por sua extensão territorial e proximidade com a linha do Equador, é o país com maior incidência de raios do mundo.

“Procuramos discutir as razões dessa maior frequência no Brasil, além de questões conceituais, como o que são relâmpagos e como se originam, se saem da terra ou das nuvens, que pontos costumam atingir, onde se abrigar durante os temporais e como as pesquisas do Elat têm revelado detalhes dos relâmpagos com o uso de câmeras de alta velocidade e sistemas de detecção”, explicou.

Os raios são uma das inúmeras e intensas manifestações da natureza na busca de equilíbrio. “Eles ocorrem a partir do choque de partículas de gelo no interior de nuvens de tempestade. Correspondem a uma busca de equilíbrio elétrico natural”, disse.

O aumento considerável na incidência registrado pelo Inpe, segundo o cientista, deve-se a fenômenos de larga escala como o La Niña. Mas também é plausível que a elevação seja consequência das mudanças climáticas globais.

Duas vezes mais

De acordo com Pinto Júnior, o monitoramento sistemático dos raios promovido pelo Elat e os estudos feitos pelo grupo foram relevantes para o aumento no conhecimento sobre o fenômeno que levou à atualização do livro.

Os dados de descargas atmosféricas foram obtidos pela Rede Brasileira de Detecção de Descargas Atmosféricas (BrasilDat) e processados por um modelo de eficiência de detecção desenvolvido pelo Elat, que permite corrigir os dados em função do estado de funcionamento dos sensores da rede ao longo do período analisado.

“Paralelamente ao lançamento do livro, o Elat desenvolveu um novo levantamento que mostra a incidência de descargas atmosféricas em cada município, com dados referentes a 2007 e 2008. Elaborado para nove estados brasileiros das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, o levantamento revela que o número de raios dobrou, quando comparado com 2005. Foram 7,5 milhões em 2008 contra 3,7 milhões em 2005”, disse Pinto Júnior.

A cobertura se liminou às três regiões, segundo o cientista, porque apenas elas puderam ser monitoradas com precisão pela BrasilDat. “Nos próximos anos, o ranking também deverá cobrir o Norte e o Nordeste à medida que a rede se expanda para essas regiões. A rede tem sensores em Tocantins, Maranhão e Pará, mas o processamento e correção dos dados para esses estados ainda não foi concluído”, disse.

O pesquisador informa que os dados por estado e o ranking geral para os 3.183 municípios pesquisados estão disponíveis na página www.inpe.br/ranking. Ali, são identificadas as cidades com maior variação positiva e maior variação negativa na incidência de descargas atmosféricas em comparação com os resultados publicados no biênio 2005-2006.

Em alguns municípios, o aumento na incidência ultrapassou os 300%. Guarapari, no Espírito Santo, registrou o maior crescimento: 335%. Em alguns municípios houve diminuição, com a incidência chegando a cair 71% em Mundo Novo (GO).

Nas grandes cidades, as variações não foram tão pronunciadas: houve crescimento no número de descargas atmosféricas em Vitória (88%), Brasília (44,4%), Goiânia (34,7%), São Paulo (20,3%) e Porto Alegre (18,8%). Por outro lado, a incidência diminuiu em Curitiba (-50,5%), Florianópolis (-50,45), Campo Grande (- 40,8%), Rio de Janeiro (-17,35) e Belo Horizonte (-3,4%).

  • Relâmpagos
    Autores: Osmar Pinto Júnior e Iara Regina Cardoso de Almeida Pinto
    Lançamento: 2009
    Páginas: 112
    Preço: R$ 33,70
    Mais informações: www.martinsfontespaulista.com.br
Fonte: http://www.agencia.fapesp.br/materia/10302/especiais/raios-em-alta.htm#

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